sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Seu espelho com memória


A revista 121 clicks publica 100 dicas de 3 fotógrafos renomados, destas repasso algumas que me identifico:
  • 50 milímetros seria a melhor lente a investir;
  • A melhor câmera é aquela que você tem;
  • Facebook não foi feito para fotógrafos;
  • Fotografe sempre em RAW nunca em JPEG;
  • O processamento não pode salvar uma imagem de má qualidade; 
  • Fotografe para você, não tente impressionar, nem todo mundo gosta do seu estilo;
  • Não fotografe por reconhecimento;
  • Concursos e competições não dizem nada da obra total do fotógrafo;
  • A melhor maneira de aprender composição é observando pinturas;
  • Pós-processamento é uma arte;
  • Os melhores lentes são fixas, sem zoom;
  • Encontrar a melhor luz é antes de tudo instinto;
  • Nunca peça para alguém posar;
  • Só existem dois tipos de fotografias, as boas e as ruins;
  • Sempre que você sentir o desejo de comprar um novo equipamento basta verificar o que você ainda não sabe usar do seu;
  • Câmera é seu espelho com memória;
  • Estimule seus companheiros e amigos que gostam de fotografia, o mundo já tem críticos suficientes; 
  • Pense na imagem antes de pensar no photoshop;
  • Fotos em condições meteorológicas extremas sempre dão bons resultados;
  • Nunca pense duas vezes para remover as suas obras medíocres;
  • Fotografia de rua, com exceções poeticas, não deve sobre cães, pobres e sem-teto;
  • Saia da zona de conforto;
  • A questão é divertir-se com fotografia;
  • O olhar é o elemento fundamental da fotografia;

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Lomography

Mil novecentos e oitenta e dois foi um ano especial. Assisto pela TV a inauguração da Usina de Itaipu e vibro por ter visitado as obras no ano anterior na primeira viagem sem meus pais. Primeira namorada, debutante das noites até a madrugada, descobertas, observações,  emoções intensas num ambiente a ser desbravado. A lembrança destes tempos é imprecisa, exageradamente colorida, vazada pela luz da curiosidade e da liberdade da  juventude onde embora cheio de surpresas, tudo parecia ser possível. Sem câmera fotográfica, também foi o ano que tive contato com a magia da fotografia no cultuado laboratório de meu tio artista.

Do outro lado do mundo e antes que  guerra esfriasse de vez um general russo decreta a socialização do registro fotográfico e assim meio como ordem militar começa a ser produzido na Lomo Russian Arms and Optical Factory  uma máquina compacta e acessível ao proletário, versão em plástico da Cosina  CX-1 - câmera robusta de lentes bem lapidadas em cristal, límpidas e com alta sensibilidade à luz. Enfim em 1984 se inicia a produção me massa da Lomo LC-A sucesso entre os comunistas.
Foi preciso mais um tempo até que as barreiras políticas permitissem o transito ocidental  e em 1991 um grupo de estudantes vienenses em uma viagem a Checoslováquia enfim descobrem em uma pequena loja de produtos fotográficos a Lomo LC-A e primeiramente encantados pelo som do clique saíram a fotografar as ruas de Praga. Foi no entanto na revelação já em Viena que veio a surpresa das cores vibrantes, saturadas e todos os estranhos e extravagantes efeitos que a máquina imprimia ao filme. O formato escolhido foi o e 10 x 7 cm tornando a brincadeira ainda mais barata. A febre espalhou-se pela Europa, era outro tipo de fotografia, mais divertida, liberta de normas, selvagem  e excitante. Com o fim da União Soviética nos anos 1990 o Leste Europeu abriu-se para o ocidente e a localização de Viena fez dela passagem de vários outros países.

Mil novecentos e oitenta e dois, se eu tivesse uma máquina para registrar minhas memórias teria que ter sido uma Lomo.

Agora tenho.

Fotos com Lomo
Mais fotos

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Exposição Foto Comentário


DO DIário da MAnhã

HOJE (25/9) ÀS 19H NO “CENTRAL CAFÉ” NO MERCADO, ABERTURA DE MOSTRA FOTOGRÁFICA COMEMORATIVA AO PRIMEIRO ANIVERSÁRIO DO ESPAÇO

 Por Carlos Cogoy
Detalhe do interior do Mercado na foto de Luiz Carlos Vaz  CRÉDITO: Vaz
Detalhe do interior do Mercado na foto de Luiz Carlos Vaz
CRÉDITO:
Vaz
Quinze fotografias na exposição “Em torno do Central Café”. Trata-se de imagens que mostram o café, o Mercado e arredores. A autoria é do grupo “Foto Comentário”, que semanalmente reúne-se no Central Café para, informalmente, trocar ideias, dicas e experiências acerca da fotografia. A mostra, além de comemorar o aniversário do espaço coordenado pelo Joaquim Lasso, também celebra o primeiro ano do “Foto Comentário”. No grupo, jornalista Luiz Carlos Vaz, médicos Marcelo Soares e Luciano Piltcher, representante comercial Alfonso Montone e professor Paulo Krebs (UFPel). Na mostra, cada autor participa com três imagens. Visitação até dia 5 durante horário comercial.
FOTOGRAFAR – Mostra terá imagens coloridas e também em preto-e-branco. Dispondo de câmeras digitais, o grupo no entanto empenha-se pelo exercício de técnicas que ficaram consagradas na fotografia analógica. Entre as principais referências e influências, talentos como Robert Capa e Cartier-Bresson. Mas além da recorrência aos ícones, o “Foto Comentário” também está atento a tendências que são divulgadas e debatidas em artigos, revistas e internet. Outra fonte é a troca de bibliografia, pois tem surgido novos títulos abordando tanto os aspectos técnicos quanto artísticos da fotografia. Em relação a preferências do grupo: “No nosso caso, o principal é o momento, a cena que não se repetirá, a composição inusitada. A busca pela técnica é a tentativa de melhor  transmitir o que se está vendo”. A mostra ainda não abriu, as fotos são inéditas e, mesmo assim, o “Foto Comentário” já tem recebido convites para itinerância do trabalho. O material não terá publicação on-line, pois “o nosso objetivo também é chamar as pessoas para a rua, para a convivência real, para uma boa conversa à mesa de um café”, dizem os fotógrafos. Acerca da sequência ao desafio coletivo por novas imagens, a perspectiva é de captar tema em comum. Integrantes acrescentam: “Uma das atividades do grupo é fazer ‘passeios fotográficos’, onde um tema sempre acaba predominando”.
Música tem sido frequente na nova fase do Mercado  CRÉDITO: Alfonso Montone
Música tem sido frequente na nova fase do Mercado
CRÉDITO:
Alfonso Montone
ORIGEM do Foto Comentário ocorreu em 2013. Luiz Carlos Vaz divulga:  “O nosso encontro aconteceu após uma exposição do Marcelo Soares no Espaço Chico Madrid. Marcelo sugeriu ao dr. Devens que eu palestrasse sobre ‘Fotografia de rua’. Então nos encontramos pela primeira vez: eu, Marcelo, Luciano e Krebs. Daí o Luciano sugeriu que nos encontrássemos mais vezes. A ideia era a continuidade ao diálogo sobre a fotografia. Inicialmente, no Facebook foi criado o Foto Comentário. Já o Alfonso, chegou pouco tempo depois. E, embora não estejam com fotos na mostra, também participam das reuniões o Fábio Caetano, Paulo Baptista e Luis Carapeto. Não há nenhum profissional no grupo. Todos tem na fotografia um prazer, uma forma de ver e mostrar o cotidiano das ruas através de olhar próprio”.
CAFÉ – Os encontros virtuais tornaram-se reais. “O grupo foi acolhido com muita empatia e simpatia pelo Joaquim Lasso, proprietário do Central Café.  Assim, nos encontros semanais, além de conversar também fotografávamos. Com isso, homenageando o espaço, reunimos fotos feitas no local. O café, além de abrigar o nosso grupo, também acolhe os músicos do chorinho aos sábados. Em um ano está identificado com o público que procurava um ‘típico ambiente de café’ em Pelotas”, mencionam os integrantes da mostra fotográfica.
Fotógrafos Marcelo Soares, Luciano Piltcher, Vaz, Alfonso Montone e Paulo Krebs  CRÉDITO: Vera Garcia
Fotógrafos Marcelo Soares, Luciano Piltcher, Vaz, Alfonso Montone e Paulo Krebs
CRÉDITO:
Vera Garcia
IMAGENS em profusão, numa saturação fotografias captadas em diferentes suportes. A tecnologia e a fotografia também é reflexão do grupo, que divulga: “Se faz ‘fotografia’ com tudo, com celular, com laptops, I-phones… Como um gesto automático, Se fotografa a comida antes de comer, se faz selfie em velório com o morto… não há mais a preocupação de fazer uma imagem ‘para ficar’, fotografar passou a ser uma ação sem responsabilidade estética – e ética também. A grande pergunta é: o que vai sobrar disso tudo que se fotografa hoje? O Vaz, que desenvolve atividade de pesquisa em fotografia, arquivos fotográficos e memória social, sempre afirma que ‘teremos – pelo menos – uma década sem memória, pois, muito pouco do que se fotografa hoje, vai ficar ‘salvo’ em papel ou em mídias confiáveis. No futuro mais de 99% do que se fotografa hoje, não sobreviverá nos HDs, pen-drives e CDs. Não teremos mais nesse futuro as ‘caixas de fotografias’, como as que ainda possuímos, e que guardam imagens quase centenárias de nossas famílias. No entanto esta democratização não deve ser vista como algo negativo ou que apenas vulgariza a arte. Fotografia é registro, é memória, forma de expressão e, às vezes até arte, de qualquer forma o interesse pela fotografia em geral pode sim estimular talentos que de alguma forma vão se destacar em meio a toda vulgarização da imagem”.

Nota: O Grupo Foto Comentário atualmente é formado por Alfonso Montone, Marcelo Freda Soares, Luis Carlos Vaz, Luciano Piltcher, Paulo Krebs, Fábio Caetano e Luiz Paiva Carapeto.


quarta-feira, 7 de maio de 2014

Charles Marville -o repórter de uma Paris perdida

Charles Marville no século XIV eternizou o desaparecimento da Paris antiga fazendo um histórico de imagens do que seria demolido para dar lugar às praças, parques e edifícios de luxo até o surgimento da cidade resplandecente de hoje, que as pessoas que ali viviam e trabalhavam, não poderiam mais morar. Esta foi a cidade de Victor Hugo e dos “Miseráveis” que o Barão Georges- Eugène Haussmann foi varrendo para dar espaço a burguesa metrópole que os turistas visitam.


A Paris de Marville fala através dos tempos expondo  todo tipo de humanidade ambientada no caos de quartos apertados, cantos e esquinas, edifícios de alvenaria manchados com  cartazes e propagandas tão pitorescas, mas que incomodavam o Barão Haussman que via alí somente miséria, congestionamento e doença, cuja cura seriam os novos espaços com praças amplas, lâmpadas a gás, palácios culturais e apartamentos dispostos  em avenidas retas terminadas  em monumentos. Desta surgiram também os cafés com as mesas na rua, amplas para que coubessem também os cavalos dos industriais e socialites. A arquitetura harmoniosa vida dos escombros criavam um ambiente de cidade espetáculo mas para uma nova economia, moderna e não homogênea,  nada acolhedora para as pobres almas que ajudaram a construí-la.


Estas pessoas que perderam sua identidade cultural não aparecem nas imagens de Marville, em função dos recursos técnicos da época as fotos eram realizadas no início da manhã quando as ruas estavam vazias. O que se percebe são as evidências das vidas passadas entre os paralelepípedos e lojas esfarrapadas.


sexta-feira, 11 de abril de 2014

Documentário sobre Vivian Maier


 Em cartaz nos cinemas americanos desde março deste ano o documentário "Finding Vivian Maier" dirigido por John Maloof e Charlie Siskel  conta a história desta babá/fotógrafa de rua que durante décadas secretamente escondeu mais de cem mil fotografias em armários e estantes para, ao serem descobertas, tornar-se das mais importantes fotógrafas do século 20. O filme conta o lado fascinante e estranho desta personagem através de relatos e entrevistas de dezenas de pessoas que acreditavam conhece-la.

Maier teve seu trabalho revelado somente após 2007 quando descoberto por uma casa de leilões em Chicago, passando imediatamente a encantar e influenciar fotógrafos de todo o mundo e também  mudando para sempre  a vida de  John Maloof, quem de fato o apresentou ao grande público. Nos últimos anos John  Mallof  procurou catalogar e reunir a maior parte do acervo até então  disperso por colecionadores sendo que cerca de 90% dele já se encontra reconstituído e organizado sob sua curadoria.

Assista também este vídeo sobre Vivian Maier no Meu Cardápio.



terça-feira, 17 de dezembro de 2013

André Kertèsz o espetacular fracassado

"The moment always dictates in my work…Everybody can look, but they don't necessarily see… I see a situation and I know that it's right."

André Kertèsz



O húngaro André Kertèsz - que dizia ja ter nascido fotógrafo- tem uma das mais ricas biografias associada a fotografia, e também das mais conflitantes. Autodidata virou referência em mais de uma área da arte fotográfica e da mesma forma com que fez parte da elite vanguardista da França, em algum momento também  precisou vender seus trabalhos a custo da sobrevivência. Sua história e estilos são divididos em  períodos históricos, geográficos e políticos distintos, desde a Hungria - sua terra natal, a passagem pela  efervescente cena francesa do entreguerras até o exílio em Nova Iorque, cidade que nunca o satisfez, mas onde morreu aos 91 anos como cidadão americano. 



"O momento geralmente orienta meu trabalho…Qualquer um pode ver, mas  não veem necessariamente… Eu vejo uma situação e sei que é a correta."

Sua frase mais representativa expressa o olhar transparente porém bem resolvido transmitidos por suas imagens. "O que sinto é o que faço", diz, e permitindo-se passar por várias correntes como o surrealismo, construtivismo ou humanismo - quase sempre à  frente de todos eles -  faz de  seu projeto artístico algo que não consegue ser classificado, e cuja única coerência básica é a maturidade do olhar.

Estrangeiro em quase todos os espaços, foi perseguido ora por ser judeu na França, ora por ser de um país inimigo na América durante a Segunda Guerra. Chegou a ser proibido de fotografar as ruas de Nova Iorque e de publicar seus trabalhos, uma contradição frente  as suas maravilhosas imagens do cotidiano europeu, tanto de sua infância em Budapeste onde já mostrava precoce entendimento poético e social, como do universo dos artistas, cafés, mulheres, crianças, sombras e objetos  parisienses. 

Nos Estados Unidos entre outras atividades foi fotógrafo de moda, mas somente após a naturalização passou a poder publicar, sem censuras, fotos mais pessoais, no entanto, os 15 anos em que   trabalhou para a revista Casa e Jardim (o que lhe permitiu  algum conforto financeiro) mantiveram sua liberdade criativa inibida.


Foi desconhecido durante grande parte de sua carreira e raramente fora citado por seu trabalho, não na proporção de própria busca pelo reconhecimento, aceitação e fama. Nem sempre seus estilos foram entendidos pela crítica, mesmo em sua fase mais pessoal como em as "distorções" (fotos de nus frente a espelhos curvos de 1933 consideradas com  truques e efeitos exagerados para os padrões da época).


Para Kertész o tempo passado nos Estados Unidos foi de desfeitas e decepções. Um grande mestre  que teve que contentar-se com pequenas demonstrações de reconhecimento. Raramente recebeu más críticas, mas sofreu pela falta delas. Sua visão foi particular, sutil, doce e humanista mas foi  tratado com indiferença. Vivia da lembrança do passado de infância, um sentimento aprofundado também por ter perdido a maioria dos seus registros anteriores. 
Havia uma maleta cheia de negativos deixados a uma mulher na França, quando estourou a guerra, ambos, mulher e negativos, sumiram sem vestígios. Porém em 1963 milagrosamente eles são reencontrados, e ali fotos deste período. Antes de morrer, querendo salvar seu trabalho, doou seu acervo ao Estado Francês.



Kertész sem estar preso a algum pensamento político mais profundo registrou a simplicidade da vida,  e com sentimento nostálgico e íntimo deu um sentido atemporal a sua arte, e quem sabe por isso, e  inevitavelmente por isso, seu reconhecimento tenha sido em outro tempo, no tempo após a morte. Sua fotografia combina com sua história, com as  vivências e com a história da própria fotografia. Tão complexa e perfeita que o real se funde com o ficcional permitindo ao gênio ter-se acreditado como  um fracassado.


Por Marcelo Freda Soares

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Walker Evans - Metrô de NY - um fotógrafo invisível

Diferente do invasivo Garry Winogrand com sua lente grande angular e agitação que o aproximavam dos elementos a serem registrados, alguns fotógrafos urbanos se organizam justamente para  não serem percebidos.

No primeiro caso o fotógrafo pode voluntariamente, ou não, estimular reações de desconforto, surpresa ou irritabilidade, interferindo ou até fazendo parte da cena. Os anônimos procuram a  "alma" pela imagem capturando do objeto a distração ou a intenção e, quem sabe, até seus pensamentos. Ambas posturas caracterizam estilos, mas é a invisibilidade que melhor traduz  o sentido daquele momento.

Há fotógrafos que transitam entre os  dois modos mas alguns são evidentemente espectadores,  na acepção de um flâneur que não precisa ser percebido, caracterizam-se como  "aqueles que podem estar em todos os lugares e ao mesmo tempo em lugar algum".

Cega  - Paul Strand 1916
Existem muitas maneiras de ser discreto, e quando acreditamos ser novidade poder  fotografar enquanto fingimos falar ao celular, por exemplo, devíamos saber que algo semelhante, porém de forma mais criativa, complexa e elaborada, já era feito desde os primórdios da fotografia de rua. 

Paul Strand  foi pioneiro neste subterfúgio, e justificava que somente iludindo as pessoas é que poderia lhes ser fiel -"Eu sentia que um fotógrafo poderia capturar uma característica essencial se a pessoa não soubesse que estava sendo fotografada." - comentava. Sua mais famosa fotografia, "Cega" - por não poder sequer se ver fotografada -  é  representação máxima desta metáfora. Strand também usou uma engenhoca onde  uma lente falsa fingia ser a frente de uma grande câmera enquanto a verdadeira - que fazia o registro de fato - ficava ao lado e escondida sob uma manga do seu casaco.

Nesta linha um dos projetos mais conhecidos é o das  Fotografias do Metrô de NY por Walker Evans (1938 a 1941). A época já era possível carregar máquinas menores e eficientes para fotos de rua em dias iluminados, mas não para dentro de um  trem trepidante e com má iluminação, além disso era proibido fazer fotos dentro deles sem autorização prévia da polícia, mas  Evans, com uma Contax 35mm, fotografou por muito tempo passageiros sem que eles soubessem. A proposta era a de que pessoas apareceriam por acaso na frente de uma câmera fixa e impessoal sendo registradas sem qualquer intervenção humana. A máquina  (diafragma totalmente aberto numa velocidade de 1/50 segundos) com as partes cromadas pintadas de preto, ficava escondida sob o casaco de onde um cabo de disparador corria pela manga onde ele se firmava e, então, sem visualização, batia a fotografia. Era parte do projeto registrar as cegas e somente na revelação corrigir composição e exposição.
Nestas Ewans foi um fotógrafo invisível, mas não suas imagens, intrigantes até hoje.





Por Marcelo Freda Soares